segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

ENFADOS DO TEMPO


        Em fim aqui estou, validos foram meus esforços?Minhas preocupações em vida revelam-se perda de tempo, afinal,eu lutei,sangrei,chorei, litros de meu suor regaram a terra, fazendo brotar deste podre substrato em que habito o grande fruto final da vida, a morte. O que mais dói é saber que eu sou o construtor deste decadente intermédio entre o meu começo e meu fim, eu fui o pedreiro desprovido de técnica que empilhou ilusão por ilusão nesse grande muro construído em minha volta, e agora sem forças estou para mudar o rumo, já não há oque se fazer. Para te ser sincero, percebo que estou caindo para fora do cosmo vivencial, indo de encontro a teus braços. Estou ciente que meu mergulho ao infinito mar da eternidade se aproxima, voltarei a ser aquilo que fui antes de SER algo, assim digamos. Já não me olham nos olhos como antes, perceberam em mim a inutilidade que tanto temia alcançar, não me levam a sério, sou apenas o exemplo perfeito de fim de vida para os frutos de minha carne, e de fardo infelizmente servirei a eles. Fardo este que até eles, não viventes de meu microcosmo, sabem que está próximo de seu fim. Vendo deste lado se é preferível o alcance do tão esperado término a que estar aqui, mas de nada poder fazer. O pouco de mim que restará terá como inimigo a força do tempo, que sem esforço, logo corroerá pedaço por pedaço dos pensamentos que a mim eram direcionados, então só assim estarei de volta a minha fase inicial, talvez só assim possa descansar e tirar o peso das minhas costas, afinal o não ser me permite nada dever, estarei livre dos deveres que me impuseram por toda uma vida de miséria e migalhas, estarei liberto dos medos e das duvidas que me levantaram, e ansioso estou a tua espera, a espera de tua sentença de liberdade.

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